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Aposentadoria dos Bryans será enorme perda para as duplas, afirma Sá

Quarta, 01 de julho 2020 às 13:39:50 AMT

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Tênis Profissional

Por Fabrizio Gallas - Em entrevista em live no Instagram @fabrizioallas, André Sá apontou que a aposentadoria dos irmãos Bryan, que pode até acontecer este ano com a disputa do US Open ou até 2021, será uma grande perda para as duplas.



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Os gemêos são os maiores campeões da modalidade com quase 120 títulos. André, de 43 anos, parou em 2018 somando 11 canecos, sendo 17 do mundo na categoria e semifinalista de Wimbledon. Hoje trabalha na Tennis Australia como diretor de relacionamento com foco na ATP Cup.

"As duplas perderão muito, eles foram os caras com aspecto totalmente diferente, popularidade dentro e fora da quadra, sabem o papel deles que não é só ganhar torneios, mas sim engajar os fãs, colocar os fãs mais próximos deles principalmente nos EUA onde se joga muito mais duplas que na Europa, negócio da música, clínicas. Dupla vai perder muito com saída deles", disse André que coloca os australianos Mark Woodforde e Todd Woodbridge na disputa com os Bryans pela melor parceria da história: "Sobre melor dupla da história, de número eles são (Bryans), mas Woodies tem certo argumento , lugar ao sol pois ganharam tudo, mas também jogavam simples, os dois foram top 20 de simples, deixaram de joar torneios pois focavam nas simples. Em números e amizade pois sou Brother deles eles são os melhores da história".

André comentou as declarações da francesa Marion Bartoli que pregou o fim da modalidade : "Declaração totalmente emocional e desinformada. Argumentos horríveis. Quem é que viaja com seis pessoas? De repente dois ou três, ainda temos muitos fãs de duplas, não dá para criticar, é o ganha-pão de muita gente, quanto mais gente jogando tênis, melhor. Esses caras 150, 200 do mundo também tem oportunidade de entrar entre os 100, quem não consegue não dá para culpar os outros. Não é justo também ganhar muito dinheiro sendo 220 do mundo , você tem que estar mais lá na frente, se consegue chegar lá na frente ganha muito dinheiro, então batalha , é tete a tete. Não é igual a F1 que nunca vou chegar num carro da Mercedes, batalha que você chega."

Para Sá, que teve 21 anos de tênis e se fixou nas duplas pelo ano de 2007, a questão financeira na categoria depende do que o jogador gasta, mas jogando Slams e Masters 1000 o atleta consegue ter boa saúde financeira: 
"Ganhar dinheiro é relativo pois depende do que você gasta. Vai na região que você mora. Morando no Brasil ganhando em dólar, show, mas morando em Londres, e suas contas em libras é mais complicado. Tudo é relativo. Se você está jogando Slam e ATP dá pra ganhar dinheiro agora quando se está na zona de Masters 1000 e Slam estará numa boa vida. Não dá para comparar a jogador de simples mas com patrocinadores, duplista tem que se virar."

Para o mineiro que já foi do Conselho de Jogadores da ATP por seis anos, o ideal seria que o sistema de entradas na categoria não privilegiasse jogadores de simples, apenas em poucos torneios por ano.

"Coisa que não é o ideal para duplas é gente de simples usando ranking para duplas. Quando eu era mais jovem queria ser top 100 de simples e duplas, era difícil, precisava treinar e melhorar, desenvolver as coisas necessárias hoje em dia usando ranking de simples pras duplas você sabe que semana que vem vai entrar no torneio, então pra que vou melhorar e me meter no top 100 de duplas. Tira um pouco. Os diretores de torneio querem ter mais singlistas nas duplas, beleza. Mas tem que ter um limite e não o ano inteiro, se não o singlista não valoriza a dupla. Exemplo que dou da água nos torneios, se o torneio fornece água gratuita, você vai lá bebe um gole e deixa na mesa, se vale 1 real você toma ela inteira. Entendeu a coisa ? Se você trabalhou para melhorar, então vai entrar em quadra agora se não precisa valorizar pois não precisa melhorar pelo ranking de simples. Eu colocaria uns cinco torneios no ano usando ranking de simples. Ano inteiro não."

"Essa questão foi decidida anos atrás assim como o Match Tie-break que muita gente achava um horror daria mais chance pro cara ruim ganhar do bom, mas no fundo salvou a dupla, melhor coisa do mundo, muito mais excitante para o público." 

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